segunda-feira, 26 de novembro de 2007

William Shakespeare

Shakespeare, o Filho do Luveiro


Do preconceito social não estão livres nem os grande gênios. Como William Shakespeare, por exemplo, considerado pela maioria dos ingleses como o seu personagem favorito do milênio que se encerrou. As suspeitas que recaíram sobre ele deviam-se ao fato de sido filho de um fabricante de luvas de uma pequena cidade do interior da Inglaterra, que não educou-se nos antros sagrados da formação universitária das elites do reino. Conseqüentemente, lançaram dúvidas sobre ele ser o verdadeiro autor da estupenda obra que enriqueceu a língua inglesa e encantou os apreciadores do teatro do mundo inteiro. Algum outro, superior a ele na hierarquia social, é quem teria imaginado e escrito aquilo tudo.

Satirizando os Pedantes

"A inveja raramente é preguiçosa"

R.Greene, 1592


Um palco da época elizabetana

Diz a crítica que Shakespeare, na sua comédia Love´s labour´s lost (Trabalhos de amor perdido), encenada provavelmente em 1598, ao fazer falar o personagem Holofernes, entremeando cada frase com um palavra ou citação latina, queria satirizar os mestres-escolas em geral. Especialmente aqueles a quem lembrava que lhe davam aulas na sua cidadezinha natal de Stratford-on-Avon, onde nascera em 1564. Na peça, o professor era um pedante que não parava de repreender o seu amigo Nataliel, um pároco que acompanhava o séquito de um princesa e fazia gosto em dizer que jamais "havia se alimentado de papel ou bebido tinta" e que, portanto, achava-se dispensado de ficar falando daquele jeito.

Dificuldades Financeiras


A casa em que nasceu

Também descobriu-se - é Park Honan, o seu mais recente biógrafo, quem conta - no Shakespeare, uma vida (o original em inglês foi publicado em 1998), que John Shakespeare, o pai do jovem

O teatro de Shakespeare


O palco e o público do The Globe

O século XVI na Inglaterra, na época do reinado de Isabel, falecida em 1603, foi o momento de ouro da dramaturgia britânica, inteiramente dominada pela personalidade artística e pelo gênio criativo de Shakespeare, exercido por ele e por seus companheiros da Companhia do Camarlengo na sua sede à beira do Rio Tâmisa, o Globe Theatre.

A construção de um teatro

Shakespeare e a Companhia do Camarlengo (mais tarde chamada The King's men) construíram um teatro - o Globe Theatre - na margem esquerda do Rio Tâmisa, no chamado Bankside, logo após a Ponte da Torre de Londres, em 1599. As sessões só ocorriam durante a temporada de verão, pois o local não era coberto. Também as suspendiam quando havia algum surto de peste, o que ocorria freqüentemente. Aliás há estudos que mostram como as temporadas e por conseqüência as peças que o bardo escrevia eram, por assim dizer, condicionadas pelos surtos pestíferos que assolavam a capital inglesa com impressionante regularidade. Então, para ganhar a vida a companhia, partindo de Londres, fazia uma turnê pelo interior. Aliás, no Hamlet (ato III, cena II), Shakespeare faz referência a esse tipo de apresentação itinerante, de teatro ambulante mostrando a chegada de um grupo de atores ao Castelo de Elsenor para uma encenação na Corte, fazendo com que a atuação deles, ainda que indiretamente, fosse decisiva na elucidação do crime que vitimou o pai do príncipe.

Forma e dimensão:

O Globe, fazendo juz ao nome, tinha a forma de um círculo - "Wooden O" - com um grande pátio interno onde cabiam de 500 a 600 pessoas que assistiam o espetáculo a preços módicos. As arquibancadas estavam divididas em três andares erguidos ao redor do palco e acolhiam os mais aquinhoados. Calcula-se que comportava mais 1.500 espectadores, perfazendo uns dois mil ao todo nos dias de casa lotada. Sua dimensão alcançava 92 metros e tinha dez de altura. O primeiro Globe não durou muito, pois foi devorado por um incêndio em 1613, três anos antes da morte de Shakespeare, durante a encenação de Henrique VIII, quando uma fagulha do canhão saltou sobre o telhado de palha. Imagina-se que Shakespeare, já retirado para Stratford-on-Avon aposentado, deveria ter voltado para auxiliar na recuperação do prédio

O fechamento dos teatros

Em 1642, com o início da Revolução Puritana - que terminou decapitando o rei Carlos I, em 1649 - todas as casas de espetáculo foram fechadas. Os puritanos não aceitavam as representações teatrais, considerando-as pecaminosas ou heréticas. Até a morte de Cromwell em 1658, nada mais foi visto em Londres ou na Inglaterra. Somente com a restauração monárquica, com a volta dos Stuart ao poder em 1661, o rei Carlos II, determinou-se a reabertura dos espetáculos. Eles haviam ficado fechados por quase vinte anos! Mas o Globe não gozou por muito tempo a liberdade recém-conquistada, pois em 1666 um devastador incêndio arrasou com a cidade inteira, incinerando junto o belo teatro que Shakespeare ajudara à construir.

A reconstrução recente do Globe


O Globe inteiramente restaurado

Somente em agosto de 1996 concluiu-se a reconstrução do The Globe graças ao esforço de americano Sam Wanamaker, que, desde os anos de 1970, mobilizou amplos setores da sociedade e do empresariado londrino, obtendo os recursos para o seu reerguimento mais ou menos no mesmo local do antigo teatro, com o nome Globe Shakespeare Theatre. Passaram-se 330 anos desde sua última apresentação. Dessa forma, o espírito do bardo retorna às margens do Tâmisa, cujas águas serviram como uma interminável fonte de inspiração à sua imortal grandeza, dando vida ao corpo do novo teatro.

2 comentários:

Richard Womack disse...

Happiness is the only sanction of life:where happiness fails, existence remains a mad and lamentable experiment>

George Santayana (1905).

Rui Luís Lima disse...

olá manuela!
Feliz Natal e Bom Ano 2008 são os nossos votos sinceros e continuação de boas escritas, adorámos este post.
beijinhos
paula e rui lima